Tecnologias de destinação de resíduos

Um pouco sobre o Lixo 5.0

Popularmente, chamamos de lixo todo material que descartamos, por não terem mais utilidade para nós. No entanto, esse conceito não é correto. Dentro daquilo que chamamos de “lixo” estão diferentes tipos de materiais que podem ter sua utilidade renovada. Por isso, ao invés de lixo, damos o nome de resíduos para esses materiais que jogamos fora, mas que podem receber novas utilidades. Já os materiais que descartamos e que realmente não podem ser reutilizados ou transformados, são chamados de rejeitos.
Todos os anos a quantidade de pessoas no planeta aumenta. Junto com as pessoas, cresce também o consumo e, consequentemente, a quantidade de resíduos sólidos urbanos (RSU) e de rejeitos gerados. Se não houver um destino adequado para estes materiais, começam a se acumular uma série de problemas ambientais, sociais e econômicos a nível global, regional e local. Sendo assim, dar destinações adequadas aos resíduos que nós produzimos é um dever de todos, tanto da população, quanto das empresas e governos.
Como primeiro piloto do Programa Lixo 5.0, a SEDEST, junto ao Instituto Água e Terra, acompanha desde a instalação de uma usina de termomagnetização no Município de Roncador, até os seus indicadores de efetividade. Sendo que a tecnologia atende aos resíduos de Roncador, Nova Cantu, Mato Rico e Iretama, através de um consórcio intermunicipal (parceria entre diferentes municípios). 
A busca por novas formas de reaproveitamento econômico e energético dos resíduos, visando o desenvolvimento sustentável local, está pautada na Lei 12.305/2010 que estipula a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Esta busca também é baseada no Plano Estadual de Resíduos Sólidos do Paraná (PERS/PR). Desta forma, buscou-se uma nova destinação para os resíduos produzidos no Estado do Paraná, por meio da Secretaria do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo (SEDEST) e do Instituto Água e Terra (IAT) com a implementação do Programa Lixo 5.0. O objetivo desta iniciativa é acompanhar a instalação de novas tecnologias ou processos para o tratamento de resíduos no Paraná, por meio do apoio e monitoramento de projetos-piloto. O LIXO 5.0 é uma maneira de encontrar alternativas de tratamento dos RSU, adequadas a realidade dos municípios paranaenses, para substituir aterros sanitários e favorecer a gestão mais inteligente dos RSU nos territórios.
A usina realiza a decomposição termomagnética dos RSU, reduzindo o volume e peso deles em 97 % (por exemplo, se entram 10.000 kg de resíduos, saem da usina apenas 300 kg de material). Este processo foi desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia de Tóquio, Japão e chamado de Dust Reuse.

 

Mas como funciona essa decomposição?

Os resíduos são colocados em uma câmara de decomposição, onde são expostos a um campo magnético com temperaturas entre 150 a 300° C e baixa oferta de oxigênio. Essas condições fazem o resíduo ser esterilizado (são mortos os micro-organismos patogênicos) e decomposto, sendo convertido em cinzas e gases. Além disso, as condições físico-químicas dessa câmara inibem a formação de poluentes. Durante o processo, não são geradas chamas de combustão, por isso o equipamento não é considerado um incinerador.
As cinzas que saem da câmara de decomposição podem ser utilizadas como parte da matéria-prima para a fabricação de produtos de concreto, asfalto, cerâmica e madeira polisintética. Garantindo praticamente 100% de eliminação dos resíduos.
Já os gases, formados durante o processo de decomposição, passam por uma série de câmaras de lavagem, que reduzem a temperatura dos gases, a quantidade de materiais particulados, monóxido de carbono e gases ácidos. Os gases passam, ainda, por um sistema de ciclone (para remoção de hidrocarbonetos e materiais particulados), um conjunto de filtros e por gavetas de carvão ativado (para retirada de odores e materiais voláteis), antes de serem lançados na atmosfera. Além disso, a água utilizada no sistema de lavagem pode ser tratada e reutilizada no sistema.
Vale lembrar que a emissão de gases segue os valores estipulados pela legislação, nacional e estadual. Assim, os parâmetros para lançamento seguem as Resoluções CONAMA 316/2002 e SEMA 016/2014.

 

Todo tipo de resíduo pode ser tratado com essa tecnologia?

 A decomposição termomagnética é uma alternativa muito interessante para a gestão dos resíduos sólidos e, como qualquer tecnologia, não é milagrosa. Alguns materiais como vidros, metais, lâmpadas, aerossóis, pilhas, baterias e pedras, não são decompostos no equipamento. Por isso, antes de serem enviados para a usina de decomposição, os resíduos devem ser separados em um processo de triagem rigoroso, que começa já na casa dos cidadãos e continua até chegar na usina.
Além disso, ainda em atenção ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos, mais especificamente o inciso XII, art. 7°, o Projeto-piloto de Roncador integrou as associações e cooperativas de catadores de materiais recicláveis dos municípios, alinhando as demandas dos associados com as características da indústria.
Desta forma, um dos objetivos deste projeto é fortalecer as cooperativas e associações de catadores de materiais recicláveis de Roncador, Nova Cantu, Iretama e Mato Rico. Estimulando por meio da Educação Ambiental uma relação responsável da população desses municípios na separação de seus resíduos. Além disso, o fortalecimento dessas cooperativas também atende à Política Estadual de Logística Reversa do Paraná, a qual estipula que algumas empresas devem reincorporar seus resíduos pós-consumo (como embalagens, por exemplo) ao seu ciclo produtivo.
Os resíduos são enviados para as cooperativas de catadores, para triagem.  Todo material que pode ser reciclado é recolhido e vendido pela cooperativa, enquanto os materiais sem potencial de reciclagem são encaminhados para a usina de decomposição termomagnética. Ou seja, são enviados para a usina apenas a parte dos rejeitos das cooperativas e da população.
Dessa maneira, com o apoio de toda população na separação adequada dos RSU direto na sua fonte geradora, todos saem ganhando. Os associados podem ter condições de trabalho mais dignas e com melhores arrecadações financeiras, além dos municípios poderem destinar de maneira ambientalmente adequada os seus resíduos, dando exemplo para outras partes do Estado.
O projeto ainda está em fase de estudos, ou seja, tanto a usina de decomposição termomagnética, quanto as ações socioambientais e educativas realizadas vem sendo monitoradas pelas instituições envolvidas e passando por constantes adaptações e revisões, se adequando cada vez mais à realidade local e atendendo a legislação vigente.